Fim de Carnaval é um bom momento para a reflexão. Indicativo maior se apresenta do nome do
pós-festa: “quarta-feira de cinzas”. Antigamente esse nome me pareceria tão
horroroso quanto o “dia dos finados” ou o “dia de todos os santos”. Todos os
nomes me remetiam ao conceito de morte e ao medo derivado dele que tanto
cultivamos na nossa sociedade quase-ocidental.
Tenho refletido bastante sobre o mito da Fênix, esse pássaro
da mitologia grega capaz de suportar fardos incrivelmente pesados. Ao morrer, a
Fênix se encarregava de queimar a si própria e depois conseguia renascer das
próprias cinzas.
Justaposto isso, as cinzas da quarta-feira ganham um novo
significado. Se antes as cinzas remetiam ao fim dos Brilhos e Purpurinas, agora
me fazem lembrar o Renascimento.
Como a Fênix, todo ciclo tem seu ápice e sua decadência. E
cada final de festa, cada final de pedaço de vida é uma pequena morte.
Esse ano preferi não viver o ápice festivo – estou em minhas cinzas juntando a energia
necessária para a Renovação. Desse lugar
também observo a Purpurina e lembro da efemeridade da Festa e da dificuldade de
aceitação das Cinzas. Quando elas se apresentam, geralmente não é por uma opção
tal qual a da Fênix, mas por uma imposição externa. Talvez não seja assim ao se
instalar a maturidade.
Fim de Carnaval é um bom momento para a reflexão. Recordar
com graça do Brilho, mas consciente de que ele voa para o mundo. Ter memória e seleção suficientemente boas
para distinguir o que levamos conosco e o que simplesmente ‘curtimos’ ou
derramamos ‘lágrimas de crocodilo’.
Um dia somos Purpurina e nos dissipamos nos corpos de quem
se aproxima. No outro somos Cinzas e precisamos encontrar um cantinho para que
o vento são nos sopre para a Finitude. A Fênix ressurge e continua forte depois
de sua morte.
Que todos tenham um 2012 proveitoso.